domingo, 29 de novembro de 2015

Djavan - Vidas pra contar

Parece que foi ontem que ouvi pela primeira vez o Rua dos Amores, de tão vivo que ainda está o disco em minha cabeça e também pelo sucesso da turnê pelo Brasil. Mas, o fato é que o disco é de 2012 e para um artista como Djavan, que compõe músicas como quem cria verdadeiros filhos, três anos é tempo de sobra pra se ter a vontade de criar coisas novas. Por isso, o novo trabalho Vidas pra Contar vem preencher essa saudade do músico compositor.

Decididamente, Djavan é um dos meus artistas favoritos da boa música. Elegante e moderno como sempre, o compositor nos traz a mesma receita que pontua em toda a sua carreira. Músicas de vários ritmos, como o forró que abre o disco, Vida nordestina, a bossanovista Encontrar-te, as canções Primazia e O tal do amor, as jazzísticas Se não vira jazz e Enguiçado, o ótimo samba Ânsia de viver, a "salsa" Aridez... por aí vai.
Traz o pop também sempre presente, como a “música de trabalho” Não é um bolero que de cara nos mostra a sua assinatura. Outra marca que sempre o acompanha é o ritmo "funqueado" que ele impõe em Só pra ser o sol.
É sempre assim e é sempre novo. Incrível como o artista envelhece e torna-se sempre melhor. Sua voz mais madura, com graves mais acentuados nos faz acompanhá-lo à medida que vamos aprendendo a música, com a alegria de uma  boa e agradável nova descoberta.

Demorou, mas já dava pra prever uma merecida homenagem do músico à sua mãe em Dona do horizonte. Há muito tempo Djavan conta sua história e a importância de sua mãe nas influências que teve. Nos últimos tempos, isso ficou mais intenso e então veio a balada que conta um pouco dessa influência materna. Linda homenagem!

Também pra não deixar de ser Djavan, o disco apresenta a enigmática Vidas pra contar que dá nome ao trabalho. Linda demais como todo o disco.

Cabe citar aqui algumas coincidências do autor com este que vos fala. Antes mesmo de ouvir as músicas deste disco, já havia reparado no título da música "Aridez" que é o título de um poema meu, publicado aqui há algum tempo. Depois de ouvir, não achei que fosse muito a cara do meu poema, embora o tema fosse o mesmo. Não a seca material, mas a do amor. Fiquei feliz em saber dessa coincidência. Ouvindo o disco, reparei em outra muito mais especial que é a música "Dona do horizonte". Bem no início da criação desse blog, escrevi o breve texto o "Pequeno cantor", que é um pouco dessa história que Djavan conta da mãe, só que em um viés oposto. Essas coisas nos emociona ainda mais.

Djavan se mostra mais uma vez como sempre foi e sem ser repetitivo. Continua parecendo um garoto. Popstar, com brilho e vontade de gente nova. É como um doce de coco que se come e não se enjoa! Como um bom vinho. Quanto mais velho melhor!


Djavan – Vidas Pra Contar (2015)

1. Vida Nordestina
2. Só Pra Ser o Sol
3. Encontrar-te
4. Primazia
5. Não é um Bolero
6. O Tal do Amor
7. Aridez
8. Vidas Pra Contar
9. Enguiçado
10. Se Não Vira Jazz
11. Dona do Horizonte
12. Ânsia de Viver

Confiram outras novidades no site do artista:



quinta-feira, 19 de novembro de 2015

Pausa

Da razão sinal-ruido
Fico com o silencio

sexta-feira, 13 de novembro de 2015

Sonho bom

Acabei de acordar de um sonho bom.
Pela primeira vez me acontece
Sonhei que me olhava no espelho e
Reparei a cara de meu filho
Pensei no sonho: _Caramba, como estou parecido com ele
Fiquei feliz. _Ora, meu filho é um jovem bonito e que eu adoro, obviamente.
A primeira estranheza foi a barba que não mais havia em mim. Pensei: _Engraçado, eu apenas a aparei. Como sumiu toda?
Rapidamente, aquela imagem que era eu semelhante ao meu filho, o que também não deixa de ser uma grande novidade, pai parecer com o filho, foi se mostrando verdadeiramente ele. Não era mais a minha imagem no espelho. Era, de fato, meu filho o meu reflexo.
Freud explica? Não sei, talvez.
Só sei que fiquei surpreso e muito feliz
Minhas rugas sumiram no rosto dele.