sábado, 15 de julho de 2017

Hora de decisão


     Nunca fui do PT. Nunca fui filiado ao partido. Porém, sempre me considerei um homem de esquerda. Aliás, diga-se de passagem, nunca o conceito de direita e esquerda foi tão marcante como nesses tempos difíceis no Brasil. E digo, como disse Suassuna, acho mesmo que quem diz que não é de esquerda, nem de direita é de direita. 

     Embora não seja do partido, tenho um profundo respeito por ele. Acompanhei sua história desde o início. O PT foi e é o único partido formado na base, horizontalmente e realmente nacional. Teve, desde a sua gênese, representação em cada canto do Brasil, em todas as regiões do país. Nunca quis me filiar, primeiro porque não sou e nunca quis militar na politica partidária. Segundo, e mais importante motivo, porque quero a liberdade de criticar, de fazer objeções. Tive e tenho várias objeções ao partido e ao que ele se tornou durante o tempo. Porém, um projeto de governo progressista, que visa equilibrar as condições de igualdade para o povo, apesar de muitas concessões, tinha pressa e precisou usar dos meios políticos para acontecer. Afinal, o partido é político. Para as minhas convicções de homem de esquerda nunca houve em outro partido qualquer projeto que se assemelhasse ou se aproximasse do que eu desejasse como necessário para o nosso país, para o meu país. O simples fato histórico de no Brasil dos anos 1990 morrerem pessoas de fome todos os dias, já era suficiente para que eu esperasse por um governo de gestão progressista e justo quanto ao social. Em 2000 eram cerca de 300 pessoas mortas por falta de alimento. Uma aberração para um país que julgamos, será o celeiro do mundo. 

     Depois desse último capítulo do golpe. Não sei se será o derradeiro. Sabe lá as cabeças "pensantes" dos usurpadores do poder. Depois da aprovação das "reformas" deformantes trabalhistas e da condenação sem provas de um ex-presidente que simplesmente é um dos ícones mundiais mais aclamados, um dos estadistas mais respeitados do mundo, não considero que haja espaço para a análise morna, a posição de centro. Veja que o partido mais deletério do país, representando o que a direita tem de mais radical, se chama PSDB, partido da social democracia brasileira. Não sei porque se escondem numa sigla de social democracia. Primeiro porque nunca foram pelo social e segundo nunca foram democráticos. Vide o golpe arquitetado para parar a lava-jato e impor as "reformas" danosas ao povo, sobretudo a maioria mais pobre. Não há mais espaços para dúvidas ou espera por algo que venha acontecer que melhore o estado de coisas. A reação a tudo isso começa já e a volta ao poder de Lula ou de quem ele indicar, caso o golpe se estenda à próxima instância, é urgente e necessário. 

     Só uma nação doente e contaminada de preconceitos de todos os tipos não vê o que está em curso no país. Um projeto que visa a trazer o Brasil novamente ao status de subserviência às nações estrangeiras, em particular aos Estados Unidos; devolver a um nivel de necessidades abaixo do suportável o povo pobre, esse que infelizmente não consegue nem entender o que ocorre no país.

     É hora de se posicionar! É mais que urgente. Por isso eu sou Lula e sou PT e sou qualquer partido ou projeto de governo que traga de volta a decência e a dignidade do povo brasileiro.

sábado, 27 de maio de 2017

Seu olhar

Seu olhar é terra fértil
Seu olhar acolhe, abraça
É úmido e quente
É sol, é luz e chuva

Seu olhar é chão de jardim
Nele, sou flor

domingo, 20 de novembro de 2016

Golpe pra quê?

   

     Quando o Brasil era governado pelo PSDB, na figura do ex-presidente Fernando Henrique Cardoso, contei os dias para o final daquela saga. Era revoltante tanto para o chamado mercado, e muito pouco para o social. É até irônico o partido se intitular social-democrata. Ainda assim, nunca pensei que a possibilidade de derrubada de qualquer governo eleito democraticamente pelo voto fosse uma saída. A direita atual achou e acabou realizando o golpe, julgando a presidente (competente ou não, mas eleita pela maioria) sem conseguir provar sua culpa por responsabilidade. Isso é um fato. Os grupos contrários, que são a maioria no congresso, se juntaram para derrubar um governo legítimo e promover uma série de ações que lesam o povo e atende aos interesses das classes mais abastadas: os empresários, os banqueiros, as empresas multinacionais... Não penso isso por ser de esquerda ou simpático ao PT. Penso como uma pessoa crítica que vê claramente o grande mal que isso tudo está causando à sociedade. Não posso concordar, por exemplo com a política do pré-sal, porque a despeito da propagação da abertura do mercado para várias empresas e o fomento da produção e por conseguinte o aumento dos empregos na área, não acho que vá acontever. Tudo isso é retórica como desculpa para entregarem às multinacionais as nossas riquezas, a nossa soberania, obviamente, em troca de grandes importâncias para poucos. Penso em mim, mas penso tb no meu filho, nas novas gerações.. Por fim, penso como um cidadão que não suporta injustiças. 

     Derrubaram a presidente na marra, sob um acordo geral dos dois poderes legislativo e judiciário, corruptos e corporativistas, para promover a repartição de aumentos vergonhos que anteriormente não vinham sendo permitido. Esse foi o preço do golpe. O golpe que visa a uma extrema política econômica neo-liberal e um desmonte total das políticas públicas de bem social promovidas pelos governos anteriores do PT. Apesar dos erros cometidos, os males desses governos progressistas não chegam nem aos pés do atual governo golpista, que de imediato propôs uma série de mudanças que afetam diretamente o povo mais pobre, sob a alegação do enxugamento da máquina pública. Ações antidemocráticas como a proposta de emenda constitucional 241que virou 55 ou a medida provisória que altera o ensino médio, sem nenhum diálogo prévio com os mais interessados, os alunos e professores, são exemplos do que vem a ser e para quem serve o governo golpista de Michel Temer. 

     Outro dia li um texto que recebi de uma amiga sobre a Derrama no Brasil colonial. A história do "quinto dos infernos" o qual resultou na revolta da inconfidência mineira que levou à morte Tiradentes e o degredo de vários outros inconfidentes. Hoje pagamos quase 2 quintos dos nossos ganhos e não vemos nenhuma revolução em curso. Devíamos aprender mais com a nossa história.

quinta-feira, 17 de novembro de 2016

A língua da saudade

Meus sentimentos
Têm muitas línguas,
Exceto saudade.
Esta é lusitana!

sábado, 30 de janeiro de 2016

Ausência

Por que, diante de tantas vivências, de tantos assuntos importantes ou não, passamos por momentos de ausência de inspiração? Será que é o cansaço do dia-a-dia? Penso que isso seja uma possibilidade. Todos, inclusive os grandes escritores, compositores, artistas, passam por esse mesmo problema. Uma outra coisa que considero é a dedicação devida como um compromisso. Por exemplo, escrever pelo menos uma vez no mês no blog ou ler um livro por semana. Penso que se tivermos esse compromisso, na hora em que pararmos para fazer o dever, daremos um jeito. Como estou fazendo agora. Então, o assunto vem. Nem que seja falar da própria questão da ausência de um modo geral. Fazer algo por encomenda costuma funcionar. Eu gosto.

Ausência de Deus, ausência de memória. Ausência, contrário de presença. A ausência é algo que serve até para medirmos a importância de alguém ou algo. Muitas vezes é preciso sentir a falta para darmos conta do devido valor.

Por outro lado, o Branco, a lacuna, o esquecer-se têm seu lado bom. Funciona como uma bolsa que precisa ser enchida aos poucos para poder se expandir. O sossego do ócio, do não fazer nada, é necessário para a criação.

Portanto, terei que me ausentar agora e dormir. Quem sabe amanhã, ou melhor, hoje pela manhã, acorde cheio de ideias boas em minha sacola. Boa noite.

quarta-feira, 23 de dezembro de 2015

Macaréu, o pulo de Eliana Pichinine

Lançado no último dia 12, Macaréu é o segundo livro de poesias da escritora e poetisa Eliana Pichinine. Como o título sugere, nos parece que a autora dá os seus saltos por sobre as ondas da pororoca, como alguém que sobressalta os obstáculos da vida. Para Eliana, deve ser como uma competição interna de quem vive a pensar na próxima onda a vencer. Ela mesma admitiu ser Macaréu o seu pulo.

Essa ideia é confirmada pelas poesias de cores mais misteriosas como em “Conto de sereia”, que abre a obra. Neste poema, Eliana nos traz uma bela imagem poética meio mágica, meio folclórica, apresentando o personagem em terceira pessoa. Depois nos mostra este mesmo poema visto em primeira pessoa, o que pra mim bateu como uma agradável surpresa. Gosto dos temas vistos por diversos ângulos, por diversos focos... Ela fez o mesmo com outros três.

Ainda assim, como em Retrós, seu livro de estreia, continua sendo a autora de versos curtos, mexendo com os significados das palavras, com seus sons e com as ideias que essas se nos apresentam. Poemas como “Autoconhecimento”, “Gema e Clara”, Céu pensativo”, “XL” (Telhado de vidro), Flores azuis (memórias) “Trato” e “Guilhotina do amor” nos dão a certeza do grande pulo, do grande salto em busca de outras possibilidades de se exprimir, sem perder suas marcas características, é claro. Sua poesia “XLII” resume o que digo: “O que sinto é múltiplo e simples”. “Macaréu”, o poema que fecha a obra, é de um lirismo que emociona. Só lendo e sentindo. Bem-vindo o novo rebento!

Parte deste pequeno texto preenche uma das orelhas do livro, o que para mim é uma honra e tanto. Obrigado pela amizade e pela admiração, Eliana. O livro ainda contou com outro texto de orelha do amigo Nelson Marques, prefácio de Claudia Manzolillo e a linda capa feita por Mari Mari Tiscate.

Serviço
PICHININE, Eliana. In: “Macaréu”. Porto Alegre: Vidráguas, 2015 - à venda na Livraria Sabor Literário, Rua Conde Bernadotte,26 - na galeria do Teatro Leblon, Rio de Janeiro
Link para compra online

domingo, 29 de novembro de 2015

Djavan - Vidas pra contar

Parece que foi ontem que ouvi pela primeira vez o Rua dos Amores, de tão vivo que ainda está o disco em minha cabeça e também pelo sucesso da turnê pelo Brasil. Mas, o fato é que o disco é de 2012 e para um artista como Djavan, que compõe músicas como quem cria verdadeiros filhos, três anos é tempo de sobra pra se ter a vontade de criar coisas novas. Por isso, o novo trabalho Vidas pra Contar vem preencher essa saudade do músico compositor.

Decididamente, Djavan é um dos meus artistas favoritos da boa música. Elegante e moderno como sempre, o compositor nos traz a mesma receita que pontua em toda a sua carreira. Músicas de vários ritmos, como o forró que abre o disco, Vida nordestina, a bossanovista Encontrar-te, as canções Primazia e O tal do amor, as jazzísticas Se não vira jazz e Enguiçado, o ótimo samba Ânsia de viver, a "salsa" Aridez... por aí vai.
Traz o pop também sempre presente, como a “música de trabalho” Não é um bolero que de cara nos mostra a sua assinatura. Outra marca que sempre o acompanha é o ritmo "funqueado" que ele impõe em Só pra ser o sol.
É sempre assim e é sempre novo. Incrível como o artista envelhece e torna-se sempre melhor. Sua voz mais madura, com graves mais acentuados nos faz acompanhá-lo à medida que vamos aprendendo a música, com a alegria de uma  boa e agradável nova descoberta.

Demorou, mas já dava pra prever uma merecida homenagem do músico à sua mãe em Dona do horizonte. Há muito tempo Djavan conta sua história e a importância de sua mãe nas influências que teve. Nos últimos tempos, isso ficou mais intenso e então veio a balada que conta um pouco dessa influência materna. Linda homenagem!

Também pra não deixar de ser Djavan, o disco apresenta a enigmática Vidas pra contar que dá nome ao trabalho. Linda demais como todo o disco.

Cabe citar aqui algumas coincidências do autor com este que vos fala. Antes mesmo de ouvir as músicas deste disco, já havia reparado no título da música "Aridez" que é o título de um poema meu, publicado aqui há algum tempo. Depois de ouvir, não achei que fosse muito a cara do meu poema, embora o tema fosse o mesmo. Não a seca material, mas a do amor. Fiquei feliz em saber dessa coincidência. Ouvindo o disco, reparei em outra muito mais especial que é a música "Dona do horizonte". Bem no início da criação desse blog, escrevi o breve texto o "Pequeno cantor", que é um pouco dessa história que Djavan conta da mãe, só que em um viés oposto. Essas coisas nos emociona ainda mais.

Djavan se mostra mais uma vez como sempre foi e sem ser repetitivo. Continua parecendo um garoto. Popstar, com brilho e vontade de gente nova. É como um doce de coco que se come e não se enjoa! Como um bom vinho. Quanto mais velho melhor!


Djavan – Vidas Pra Contar (2015)

1. Vida Nordestina
2. Só Pra Ser o Sol
3. Encontrar-te
4. Primazia
5. Não é um Bolero
6. O Tal do Amor
7. Aridez
8. Vidas Pra Contar
9. Enguiçado
10. Se Não Vira Jazz
11. Dona do Horizonte
12. Ânsia de Viver

Confiram outras novidades no site do artista: